Meu nome é Samaa Al-Hassanat. Minha família e eu deixamos nosso país, a Palestina, em 2021, em busca de uma vida estável e segura para mim e minhas filhas, principalmente porque nosso país estava constantemente em guerra. Como a Palestina não tem aeroporto, tivemos que ir para o Egito e viajar pelo Aeroporto do Cairo até a Turquia. Lá, começamos a sentir alguma liberdade e segurança.
Depois de um ano, a situação econômica ficou difícil e obter documentos e residência tornou-se muito mais complicado… então decidimos partir. Entramos em contato com um amigo, brasileiro, que nos ajudava desde que saímos da Palestina. Sugerimos a ele que deixássemos a Turquia e fôssemos para outro país onde pudéssemos nos estabelecer e obter documentos oficiais.
Um desses países era o Brasil, então ele nos ajudou e preparou toda a documentação necessária para virmos para o Brasil. Pesquisamos sobre o país e nos informamos sobre a vida e a cultura. A decisão de ir para o Brasil foi difícil devido às grandes diferenças de cultura, idioma e estilo de vida. No entanto, nosso amigo nos falou sobre uma organização de refugiados chamada Aire, que nos enviaria um convite, nos acolheria e nos forneceria tudo o que precisássemos. Sentimos um certo alívio. Entramos no Brasil em 3 de dezembro de 2021.
A Aire nos acolheu e nos forneceu tudo o que precisávamos (comida, bebida, roupas) e o que meus filhos precisavam (brinquedos, passeios, aniversários, atividades educativas). Eles nos ajudaram com os documentos de residência, com o pedido de asilo, com o aprendizado do português, com a matrícula das crianças na escola e com a organização de passeios recreativos regulares. Também conseguiram um emprego para o meu marido.
Eles foram como uma família para nós. Meus filhos se apegaram muito a eles. Ficamos na casa da organização por um ano inteiro e, quando chegou a hora de partir, eles nos ajudaram a encontrar nosso próprio lugar e nos forneceram todos os móveis de que precisávamos. Mesmo depois de irmos embora, eles continuaram nos ajudando.
Já estamos no Brasil há três anos. A verdade é que, com a ajuda deles neste ano, aprendemos português e adquirimos uma melhor compreensão da cultura e do estilo de vida brasileiros. Obrigada por serem a melhor parte de nossas vidas e pelo apoio inestimável.
